2 – O papel da mulher na Igreja | FREI BENTO DOMINGUES

“E Deus fez-se homem”!

Esta simples sentença bíblica, afirmada religiosamente como verdade divina, tem servido como argumento (talvez o principal entre vários) para manter e preservar o cristianismo como campo de actividade marcadamente masculina.

Verdade se diga que, em muitas religiões, a mulher é pura e simplesmente excluída de qualquer importância ou função, para já não falar da sua nulidade intelectual. E, no Cristianismo? Se é verdade que, é no mundo ocidental e cristão que a mulher ganhou alguma importância e respeito pela sua dignidade humana, é igualmente verdade que a sua diferença é muitas vezes tomada como inferioridade e, consequentemente, arredada de devida consideração religiosa, quiçá por extensão do verificado socialmente. Mulher na Igreja? Porquê? Como?

Para nos guiar nesta reflexão pedimos a colaboração prestimosa e prestigiosa de Frei Bento Domingues, reputada personalidade nacional, não só religiosa. O nosso convidado de hoje tem uma vida desde sempre dedicada ao estudo, ensino e à comunicação, para além de uma importante participação cívica.

São inúmeros os seus trabalhos teológicos, conferências e colaborações nos meios de comunicação social, trabalhos que desenvolveu a par do estudo e do desempenho de diversos cargos na Ordem dos Pregadores, mais conhecidos como os Dominicanos. Toda a sua vida Frei Bento tem estado presente na assistência a movimentos laicos da própria Igreja, movimentos de jovens e não só, mas é também figura de referência sempre que se repensou o Cristianismo e o seu desempenho actual e futuro.

Claro que uma tal actividade não foi isenta de polémicas e, justamente por causa desta simbiose de actividade e consciência, é que Frei Bento, também conheceu interrogatórios na PIDE e o exílio voluntário! Em questão estiveram exposições e reflexões públicas!

É assim, um membro da Igreja que sempre tem buscado uma maior lucidez quem nos vai acompanhar hoje. Acrescente-se que é alguém que pertence a uma Ordem em cuja origem está a argumentação que se quer verdadeira feita por homens religiosos que, vivem em comunidade, sem serem monges!

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