32 – Stalking: quando a paixão chega ao crime | ANTÓNIO MANUEL RIBEIRO

Última Feira do Livro e a meio da tarde do passado 9 de Junho! Também a meio do correr de “stands” está uma pequena mesa com livros de um autor que ali está para autografá-los. É fácil para muitos reconhecer António Manuel Ribeiro dos UHF, trazer ao presente os seus “Cavalos” e quiçá trautear a “Rua do Carmo”; em cima da mesa espera-se ver um livro de letras de canções: nada mais errado – baixa-se o olhar e deparasse-nosÉs meu, disse ela”, o título do último dos seus livros e que o próprio designa como testemunho biográfico!

Este é o nosso convidado de hoje, António Manuel Ribeiro, que nasceu em Almada a 2 de Agosto de 1954. Por ali estudou até acabar o 5º ano, altura em que, por sugestão paterna, daria o salto para a outra margem do Tejo a fim de cursar arquitectura no velho liceu D. João de Castro, no bairro da Ajuda, em Lisboa. Começaria então uma vida feita de mudanças pois, da arquitectura mudaria para Letras, porque a poesia, a literatura e os originais que ia escrevendo, falavam mais alto.

Com a democracia e a tropa afastada, entra na pior Faculdade de Direito de que há memória. Em 77 farta-se de tanta RGA, atravessa o relvado da cidade universitária e inscreve-se em filologia românica – é um francófono assumido e apaixonado por Paris. Estagia por essa altura no trissemanário Record, e por lá fica até 1980 – é o Bairro Alto que se lhe entranha, que viverá e cantará. O nascimento dos filhos obriga-o, entretanto, a deixar pintura e estudos e a ir trabalhar para Câmara de Almada.

Aos poucos a música vai-se tornando o centro da sua vida. Os UHF, formados em 1978, partem para a corrida da música rock deste país com os seus “Cavalos”.

Com os UHF, António Ribeiro contará – 23 Álbuns (5 ao vivo), 26 Colectâneas UHF, 23 EPs, singles e Maxis para além de 97 compilações com outros artistas; em nome próprio mais quatro (“É Hoje / Agora”, single (1987); – “Pálidos Olhos Azuis”, CD (1992); – “Sierra Maestra”, CD (2000) e – “Somos Nós Quem Vai Ganhar”, CD-S (2003). Se se preferir serão perto de um milhão de discos vendidos ao longo de uma carreira de 40 anos que, contribuiu para abrir as portas ao rock português.

Resolveu também rasgar os dois romances escritos mas, estará sempre ligado à comunicação com crónicas para jornais e rádios mesmo que estas sejam piratas! Entre 2002 e 2015 assinou regularmente uma coluna de opinião e cidadania no semanário digital Setúbalnarede e terá artigos espalhados por outros jornais (Blitz, Público) e revistas (Algarve Informativo e Lusitano de Zurique).

O seu “vício de ser independente, sem amarras, só presto contas à minha consciência” será responsável pela sua cidadania activa em termos políticos. É assim que este pai de três filhos (António Côrte-Real, guitarrista dos UHF, Maria Bárbara, licenciada em psicologia; e Carolina, designer de moda) apoiará, como independente, os MASP I e II, que conduziram Mário Soares à Presidência da República entre 1985 e 1995.

Seia também candidato em 1989 nas listas do PS à Autarquia de Almada e, em 1993, aceitou como independente, integrar o grupo parlamentar do PSD na Assembleia Municipal de Almada.

Em 1995 é agraciado com a medalha de ouro por mérito cultural, por decisão do executivo camarário. Apoiaria depois a candidatura do poeta Manuel Alegre, nas eleições de Janeiro de 2007, para além de inúmeras acções resultantes da sua cidadania activa.

De destacar igualmente a sua participação na SPA – Sociedade Portuguesa de Autores, em que se inscreveu em 1979, integrando entre 1994 e 2000 a direcção da cooperativa enquanto director para a Música Ligeira.

Claro que tal inscrição não aconteceu por acaso mas sim na sequência da produção da sua obra literária, fundamentalmente poética, a que se juntou a autoria de canções. Não será de estranhar que, por convite de José Jorge Letria, Presidente da SPA, fosse nomeado Embaixador do Direito de Autor no final de 2012.

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, como habitualmente às sextas-feiras, de dois em dois meses, e será a 33ª, no dia 7 de Setembro de 2018, onde teremos como nosso convidado, Fernando Rosas, Historiador e político, nos vêm falar, “O que mudou com o Maio de 68“. Promete.

Só que, no meio de tanta e tão interessante actividade, o nosso convidado de hoje, não conseguiu fugir a todas as possíveis consequências de ser uma figura pública e ser objecto dos mais insondáveis desejos alheios! Seguiram-no multidões de “fans”? Sem dúvida!

Só que um dia, no meio do turbilhão, alguém disse – ÉS MEU! Doentiamente, Ela nunca mais o largou fê-lo objecto de Stalking”. Mal sabia que lhe estava reservado ir falar do seu desespero a umas Charlas, em Cascais!

Boas férias a todos, até Setembro

Tens a palavra António.

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