34 – A transformação demográfica em Portugal: uma visão anti catastrófica | JOÃO CRAVINHO

Estamos hoje aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa, com um novo figurino, mas com a mesma dinâmica, o mesmo espírito.

Quem são os “Amigos de Platão” o que são “As Charlas dos Amigos de Platão“?

CRISE! Esta é, provavelmente, a palavra mais pronunciada em Portugal nos últimos tempos!

Está tudo perdido”, dizem uns; “não há nada a fazer”, dizem outros; mas, quase todos, confessam, mesmo em voz baixa, que, de facto, estamos em crise.

Crise diversa, de toda a espécie, e à vontade do utente: ela, a crise, é económica, financeira, social, de valores, de educação, enfim…de tudo.

Foi como resultado desta consciência social, mas também com vontade de algo fazer que algumas pessoas acharam ser tempo de não aceitar este marasmo social e discutir esta situação.

No fundo, repensar, ter novas ideias de e sobre Portugal, e discuti-las profunda e informalmente.

Surgiram assim os “Amigos de Platão”, um grupo de pessoas que se quer agente cultural e que pretende «revisitar Portugal, e não só, através da Literatura, da História, da Arte, do debate de ideias da nossa vida politica», através de Palestras ou Conferências a que chamamos «Charlas dos Amigos de Platão», que numa primeira fase, para que ficasse claro o carácter dinâmico e menos formal do diálogo, que não impede o desejo de conhecer mais aprofundada mente os temas em debate.

Por isso, com a regularidade de dois em dois meses, normalmente na primeira ou segunda sexta-feira e excecionalmente à terceira, das 20h00 ás 23h00, organizamos na Sociedade de Geografia de Lisboa, um jantar que finalizará com uma conferência dada por um palestrante convidado, sobre tema da sua especialidade e escolha, podendo os presentes colocar as suas questões e interagirem com o palestrante.

 

De todos os oradores que até hoje nos deram o prazer da sua companhia e palavra, nenhum se compara em termos de número de cargos públicos e políticos desempenhados ao nosso convidado de hoje – João Cravinho!

Engenheiro, economista e membro do Partido Socialista, João Cardona Gomes Cravinho, foi deputado em sete legislaturas, deputado ao Parlamento Europeu entre 1989 e1994 e seu vice-presidente, dirigente de Serviço Público e de Órgãos do Partido Socialista, Ministro da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório em 1975, Ministro do Planeamento e Administração do Território até Janeiro de 1996, Ministro do Equipamento do Planeamento e da Administração do Território até 1999, do XIII Governo Constitucional…

E isto, para além ter sido Director Geral do Planeamento da Indústria, com Rogério Martins, fundador e director do Grupo de Estudos Básicos de Economia Industrial (GEBEI) e de ser Professor convidado do ISEG, ISCTE, Universidade de Coimbra, consultor da OCDE, da UNESCO, da Comissão Europeia…e muitos outros cargos se poderiam referir!

Nascido na angolana Malange, a 19 de Setembro de 1936, João Cravinho faria todo o seu percurso académico em Portugal.

Fiz a quarta classe no Algarve, em Alte, uma aldeia, e fiz a admissão ao liceu em Faro. Estudei nessa aldeia no concelho de Loulé, onde eram todos primos e primas. Vim para Lisboa para o liceu D. João de Castro, onde fiz os sete anos do liceu”.

Seguiu-se a formatura em engenharia civil pelo Instituto Superior Técnico, Master of Arts (Economics) pela Universidade de Yale e a frequência durante dois anos do Programa de Doutoramento, D. Phill, em Economia da Universidade de Oxford, que abandonou após o 25 de Abril.

Mas, até por que já anteriormente se posicionava “na oposição”, o 25 de Abril traria uma completa mudança de vida ao nosso convidado.

Assim, pertenceu ao MÊS, Movimento de Esquerda Socialista, e à Intervenção Socialista, GIS, antes de se filiar, em 1976, no Partido Socialista, de que foi dirigente até 2009.

Conforme referimos anteriormente, foi deputado, membro do Conselho de Estado, Vice-presidente do Parlamento Europeu, ministro e administrador do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, o BERD, cargo que segundo forte opinião pública e negado pelo próprio, aconteceu para o afastar da sua luta predilecta: o combate à corrupção!

Fui ingénuo e estúpido”, afirmará ao Público no passado mês de Setembro referindo-se à forma como foram tratadas as suas iniciativas legislativas anticorrupção e ao fracasso das mesmas, facto a que o “patrão Sócrates” não terá sido estranho! Provavelmente terá sido o resultado, ou um ajuste de contas, por ter decidido levar à letra o “Nunca cedi a privados”, que foi seu lema enquanto ministro.

Mas, não abandonou os temas polémicos: bem depois de ter escrito o livro “Visões do Mundo”, publicou, em 2014, o sugestivo título “A Dívida Pública Portuguesa”.

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, que vai continuar como habitualmente às sextas-feiras, de dois em dois meses, aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa e será a 35ª, no dia 18 de Janeiro de 2019, e para tal teremos, como nosso convidado Carlos Fiolhais, físico, professor universitário e ensaísta português, que nos vêm provocar com o tema: “Os inimigos da ciência“.

Voltando a João Cravinho, os que lhe são próximos gabam-lhe justamente o conhecimento e a coragem em abordar temas polémicos como aquele que também lhe propusemos para hoje – “A transformação demográfica em Portugal: uma visão anti catastrófica”.

Mas, certamente que a quem há alguns anos quis profeticamente lembrar, como e enquanto ministro, que o Mar deveria ser a renovada estratégia nacional, pois não será difícil ousar que se afirme o contrário sobre o “país onde se morre menos e se nasce ainda menos”  como afirmou ao jornal Expresso, no passado 3 de Novembro.

Tem a palavra João Cravinho.