35 – Os Inimigos da Ciência | CARLOS FIOLHAIS

Minhas senhoras e meus senhores.

Manda o bom senso, e sobretudo a educação que, ao apresentarmos os nossos convidados não façamos referência a traços subjectivos de personalidade. Hoje, fazemos uma excepção em relação à personalidade que nos visita: Carlos Fiolhais!

Tal deve-se ao facto de, depois de se visionar toda a variedade de presenças públicas, é difícil encontrar uma em que Carlos Fiolhais não mostre uma saudável combinação de bom humor com seriedade! E, conforme veremos, seriedade e bom humor vão ser iguais características da sua vasta obra.

Carlos Manuel Batista Fiolhais nasceu em Lisboa a 12 de Junho de 1956, frequentado o primeiro ano da escola primária nesta cidade. Depois viveu em Coimbra, tendo estudado na Escola dos Olivais. Nos anos de liceu ganhou muitos prémios de pintura.

Não fez a tropa porque é daltónico.

Hoje é Professor Catedrático de Física da Universidade de Coimbra. Foi aliás por esta Universidade que, em 1978, se licenciou em Física doutorando-se em Física Teórica na Universidade Goethe, em Frankfurt, na Alemanha, em 1982.

Academicamente tem investigado Física da Matéria Condensada e Ensino e História das Ciências. É autor de cerca de 150 artigos científicos, um dos quais com mais de 13.000 citações (o mais citado de sempre de autor com endereço em Portugal), e de centenas artigos pedagógicos e de divulgação. Participou em numerosas conferências e colóquios promovendo a ciência e a cultura científica. Dirigiu a revista Gazeta da Física da Sociedade Portuguesa de Física e foi Director do Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra (onde procedeu à instalação do maior computador português para cálculo científico) e da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, onde concretizou vários projectos relativos ao livro e à cultura. Presidiu ao Conselho Científico do European Physics Journal e foi o responsável pela área do Conhecimento da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Fundou há dez anos e dirige o Rómulo (tem uma ligação tão especial com Rómulo de Carvalho, o nosso saudoso António Gedeão, autor da letra memorável “A Pedra Filosofal” que foi musicada e cantada por Manuel Freire, Rómulo de Carvalho que Carlos Fiolhais fez questão de estar presente na homenagem que lhe prestaram no “seu” Pedro Nunes e também no funeral do poeta e professor) – Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra.

É vasta a sua obra publicada pois, até hoje, é autor de cerca de 50 livros, entre os quais (repare-se no bom humor) Física Divertida, Nova Física Divertida, Pipocas com Telemóvel (na Gradiva, sendo o último com David Marçal); Ciência em Portugal (na Fundação Francisco Manuel dos Santos), História da Ciência em Portugal (Arranha Céus); Biblioteca Joanina (Universidade de Coimbra) e de Os Jesuítas. Construtores da Globalização (nos CTT), este com José Eduardo Franco.

Por isso, não se estranhe Carlos Fiolhais ter sido galardoado com vários prémios como, em 1994, o da União Latina de tradução científica, em 2004, o Globo de Ouro em Ciência, da SIC, em 2005, o Prémio Inovação do Fórum III Milénio, em 2006, o Prémio Rómulo de Carvalho da Universidade de Évora, em 2016, em 2017, o Grande Prémio Ciência Viva Montepio e recebe conjuntamente com José Eduardo Franco o Prémio José Mariano Gago de Divulgação Científica, criado pela Sociedade Portuguesa de Autores, na sua primeira edição da atribulação do referido prémio, no passado dia 22 de Maio do ano passado, dia do Autor e comemoração dos 93 anos da Sociedade Portuguesa de Autores, no Auditório Carlos Paredes em Lisboa, pela obra coordenada por estes ilustres investigadores na colecção “Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa”, que reúne 80 livros em 30 volumes e que junta, pela primeira vez, documentos de humanidades e ciências, obras publicadas pelo Círculo de Leitores.

Para lá da sua carreira académica, Carlos Fiolhais é presença regular nos meios de comunicação social, colaborando regularmente com o jornal Público e a revista As Artes entre as Letras, para lá de ser co-responsável pelo blogue “De Rerum Natura”. Dirige a colecção Ciência Aberta da Gradiva; igualmente co-dirige o projecto Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa (no Círculo de Leitores).

Recebeu a Ordem do Infante D. Henrique em 2005 e, recentemente, o jornal Negócios fez dele um dos 126 líderes a quem pediu uma antecipação do corrente ano de 2019! Nessa publicação afirmaria entre outras coisas que “Continuarão a surgir oportunidades na ciência e tecnologia, meios computacionais mais potentes (…) mas, perigos continuarão a ser falhas éticas, ignorância e falta de cultura científica)!

Por isso, guardamos para o fim o facto de ter sido entrevistado por José Jorge Letria para a colecção “O Fio da Memória” da editora Guerra e Paz. Ali é notória a sua luta em prol da Ciência e o ser uma das vozes mais críticas da chamada pseudociência! Ali também o seu lamento pela Ciência ter “desaparecido da Televisão”, da ignorância ter subido ao Poder, nos Estados Unidos da América e dos variados inimigos que a Ciência tem.

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, que vai continuar como habitualmente às sextas-feiras, de dois em dois meses, aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa e será a 36ª, no dia 8 de Março de 2019, dia Internacional da Mulher embora para mim todos os dias são dias internacionais da mulher, não um só dia, e para tal teremos, como nosso convidado José Arruda, comendador e presidente da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, que nos vêm provocar com o tema: “Os Deficientes das Forças Armadas: Consequência directa da Guerra Colonial” e que nos dá honra de estar hoje aqui entre nós, bem haja pela sua presença.

Voltando ao nosso palestrante de hoje e ao título de um dos seus livros mais importantes (“A Ciência e os seus Inimigos” da editora Gradiva, com David Marçal) e tal é o tema da sua palestra de hoje! Estamos todos curiosos, por isso dou a palavra a Carlos Fiolhais.

Disse

Sociedade de Geografia de Lisboa, 18 de Janeiro de 2019