37 – Portugal que futuro | RAQUEL VARELA

Sou historiadora, professora, dá-me prazer fugir para um arquivo de papéis velhos em silêncio como me dá prazer fazer paddle com os meus gémeos, por quem sou apaixonada. Sou o resultado das pessoas e dos lugares em que estive, das minhas avós, do meu irmão, dos meus pais, do meu marido e amigos. Tenho saudades de casa quando estou fora, saudades do país, mas a minha pátria é a humanidade.

Esta afirmação de Raquel Varela, a nossa convidada de hoje, data de 2015, mas poderia perfeitamente servir de sintético e honesto Curriculum Vitae e Profissional. Só lhe acrescentaríamos a palavra Imensidade!

Há pessoas que não achamos serem possíveis de existir…por causa da sua intensidade! No mesmo tempo de todos os outros escrevem mais, fazem mais, lêem mais…mesmo muito mais! Mas existem, e tal é o caso de Raquel Varela, de quem nem vos dizemos a idade para não se espantarem, mas eu digo-vos que nasceu a 15 de Outubro de 1978, em Cascais, é ainda mais quando descobrirem o quanto, em pouco tempo, ela já escreveu, sobre o quê, o que fez e ainda os projectos que quer realizar. Sim, o público conhece-a como comentadora residente do programa semanal de debate público “O Último Apaga a Luz” na RTP 1 mas, nem sonha o quanto saber diversificado e profundo esconde a comentadora.

Correndo o risco de falhar alguma menção académica ou institucional comecemos por referir que Raquel Varela é investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais e também é investigadora do Instituto Internacional de História Social, em Amesterdão. É coordenadora do projeto História das Relações Laborais no Mundo Lusófono e é doutora em História Política e Institucional (ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa). Igualmente, orienta doutoramentos, pós-doutoramentos, mestrados e bolsas-sandwich…

O Trabalho é uma das áreas a que mais se tem dedicado sendo Presidente da International Association Strikes and Social Conflicts e vice-coordenadora da Rede de Estudos do Trabalho, do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal. É fundadora da Rede de Estudos Globais do Trabalho (Nova Delhi/Índia) e membro convidado do Board of Trustees of the ITH-International Conference of Labour and Social History (Áustria), a mais antiga associação de estudos do trabalho na Europa.

Acrescente-se a coordenação de vários projectos, entre os quais o Estudo da Evolução da Força de Trabalho Médica no SNS (Ordem dos Médicos/FCSH 2016), Condições de Vida e Trabalho dos Professores em Portugal (Fenprof/UNL 2018) e do Estudo de Trabalho e Automação dos portos a nível global (UNL/ International Dockworkers Council, 2015).

Igualmente é Professora-visitante internacional da Universidade Federal Fluminense, onde lecciona uma cadeira na área de história global do trabalho no programa de pós-graduação em História. É avaliadora internacional do CNPQ/Brasil.

Editora e membro do conselho editorial de várias publicações periódicas académicas. Raquel Varela é autora e coordenadora de 25 livros sobre história do trabalho, do movimento operário, história global e publicou como autora 51 artigos em revistas com arbitragem científica, na área da sociologia, história, serviço social e ciência política indexados no ISI Thompson, CAPES Qualis A, Scopus, entre outros. Os mesmos traduziram-se em mais de 200 palestras/aulas por convite realizadas em mais de 50 instituições nacionais e estrangeiras e na coordenação de 13 projectos nacionais e internacionais financiados, nos últimos 4 anos.

Entre os livros publicados são de destacar os relativos às questões sociais (A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal ou Quem paga o Estado Social em Portugal?) e à Revolução de Abril (Revolução ou Transição? Ou Revolução ou Transição? História e Memória da Revolução dos Cravos), temática a que não será estranho o ter sido chamada para ser a responsável científica das comemorações oficiais dos 40 anos do 25 de Abril (2014).

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa e será a 38ª, no dia 12 de Julho de 2019, onde temos como nosso convidado, António Sala, comunicador e radialista, é assim que gosta de ser tratado, que nos vêm provocar com o tema: “Que espaço para o Humanismo na Comunicação dos nossos dias”.

Guardamos para o final a referência ao seu livro “Para Onde Vai Portugal?”, em cuja sinopse se afirma que “para organizar a sociedade e dar bem-estar a todos não é aceitável sabotar a produção, pagar para os agricultores não produzirem, encerrar fábricas e empresas, destruir capacidade produtiva, colocar 47% da população na miséria e deter o desenvolvimento da ciência e da técnica, como tem sido feito. Já não somos o país atrasado de Salazar. Somos uma sociedade urbanizada, escolarizada, que não vê a emigração como uma fatalidade, nem viver em níveis mínimos de subsistência como um destino traçado”.

 

Manterá a opinião? Por isso a convidamos para nos vir desenvolver o tema “Portugal, que futuro”.