38 – Que espaço para o Humanismo na Comunicação dos nossos dias | ANTÓNIO SALA

Connosco está hoje António Sala.

Apresentações? Serão mesmo necessárias?

De facto, o nosso convidado é alguém sobejamente conhecido pela generalidade da sociedade portuguesa.

Pela Rádio, pelo Jornalismo, pela apresentação de espectáculos ou da televisão ou pelas canções que gravou e interpretou, António Sala é alguém efectivamente…famoso!

António Sala nasceu a 14 de Janeiro, de 1949, em Vilar de Andorinho, em Vila Nova de Gaia. Veio viver para Lisboa com 10 anos de idade e, em 1965, iniciou-se radiofonicamente na Rádio Ribatejo e nos Emissores Associados de Lisboa, na Rádio Graça, onde se tornou profissional e passou a apresentar (já era sina!) o programa da manhã.

Quando foi chamado a cumprir o serviço militar, também o fez como radialista, no programa Alerta Está, da Região Militar de Lisboa.

O seu percurso continuou como locutor e realizador na Rádio Peninsular e na Rádio Voz de Lisboa ganhando progressiva afirmação quando foi o Realizador e Apresentador do “Programa da Manhã” da Antena 1 da RDP de 1977 a 1979. É neste ano que passa a integrar os quadros da Rádio Renascença, onde já colaborava, e é na Renascença que vai desenvolver o essencial da sua carreira e tornar-se famoso.

Ali, será o Apresentador e Realizador do programa da manhã “Despertar“, e estabelece de 1980 a 1990 o maior fenómeno de popularidade radiofónica de sempre em Portugal pois, foi líder absoluto de audiências durante duas décadas e nunca conheceu o sabor de um segundo lugar. Será Realizador Principal da Emissora Católica Portuguesa desde 1985 e passou em 1990 a ser Assessor do Gerente Executivo do Grupo Renascença.

Outros cargos desempenharia na “sua” Renascença pois, ali foi Director de Programas, Director Geral do Grupo Renascença, que engloba os canais Renascença, RFM,  Mega Hits e Canal SIM, e Director Geral da Genius y Meios – Entretenimento e Formação, Lda, a mais nova empresa do Grupo R/Com. Numa vertente mais social seria Director do Clube Renascença de Outubro 2004 a Março de 2010, data esta a partir da qual é Presidente da Liga dos Amigos da Rádio Renascença.

O reconhecimento pela qualidade do seu trabalho valeu-lhe várias distinções entre as quais a de “Locutor do Ano”, troféus como o da “TV Guia“, Prémios  como os dois de Popularidade da Casa da Imprensa, de “Profissional do ano” do Rotary Club de Portugal, em 1987 e o de Carreira, do Grupo Impala. Acrescentem-se Diplomas e Medalhas de Louvor e Mérito de várias instituições desde a Cruz Vermelha Portuguesa à da autarquia da sua cidade natal, Vila Nova de Gaia, passando pela da Cidade de Lisboa. E, em 2017 é-lhe atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, o mais prestigiado prémio da Rádio em Portugal – o troféu “Igrejas Caeiro Rádio”.

Como profissional de Rádio e homem do espectáculo desenvolveu trabalhos por vários países nomeadamente nos Estados Unidos, Inglaterra, México, África do Sul, França, Venezuela, Itália, Cabo Verde e Macau.

Também em Televisão a actividade de António Sala se tornaria notória. Começou na década de 1970 e assinalou vários êxitos em programas como “Música Maestro”, “Você Decide”, “Café Lisboa” e o seu próprio Talk Show “Sala de Conversas” na RTP 1 aos Sábados à noite. Foi o apresentador de vários “Festivais da Canção” RTP e inúmeros “Natal dos Hospitais” e, mais recentemente, distinguiu-se na TVI como Jurado em várias séries do programa “A Tua Cara não me é Estranha” um dos maiores êxitos de sempre da televisão portuguesa.

Como músico, voz, produtor, autor e compositor, o seu nome está ligado a mais de uma centena de produções que assinou sozinho ou em parceria com prestigiados artistas como Carlos Paião.

Liderou durante 11 anos o Grupo Maranata e ainda foi o responsável pela Produção Nacional em duas Editoras Discográficas, a Imávoz e a Rossil.

Aliás, continua a criar espectáculos musicais, assina artigos e crónicas, dá conferências, faz workshops, escreve novos livros, e desde os anos oitenta que é Voluntário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, onde exerce sempre a sua actividade semanal. Se calhar, foi por isso que foi agraciado em 10 de Junho de 2010 como Comendador da Ordem do Mérito da República Portuguesa.

Mas, nunca pôs de lado a sua faceta humanista! É por isso também conhecido por ser o responsável pela grande reaparição de Amália, quando em 1985 a leva a fazer pela primeira vez em Portugal, um Concerto a solo no Coliseu de Lisboa. Esse facto, que Amália sempre destacava, solidificou ainda mais a amizade que os ligava.

Também foi o convidado para a apresentação de dois concertos em Portugal de Júlio Iglésias, com quem cantou para mais de sessenta mil espectadores. Ao longo da sua carreira já ultrapassou a participação de três mil Espetáculos.

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa e será a 39ª, no dia 6 de Setembro de 2019, onde temos como nosso convidado, Jorge Coelho, gestor e político, que nos vêm provocar com o tema: “Portugal tem futuro sem o interior desenvolvido?”.

Mas voltando aqui ao meu amigo António Sala.

E então o Benfica? Não foi ele Vice-Presidente do Sport Lisboa e Benfica e seu responsável pelos pelouros da Cultura e Animação?

Pois, vá lá! Confiou em quem não devia. Não devia ter-se deixado levar pelo coração… e fala aqui outro benfiquista.

Mas como está a nossa Comunicação Social hoje? Como está a Comunicação entre as pessoas hoje?

Como sou um utilizador assíduo dos transportes públicos, pois não tenho carta de condução, fico estupefacto olhando as pessoas que me rodeiam, é tudo agarrado aos telemóveis, “comunicando virtualmente” nas redes sociais, sabe-se lá com quem. Não olham olhos nos olhos uns dos outros, nem esboçam um sorriso para quem está ao seu lado, não se ouve uma palavra, nem um “olá”, um silêncio, o único ruído que temos é o ruído que faz andar os transportes, mas têm a cabeça enfiada num ecrã. Outro exemplo, são os dois namorados sentados numa esplanada ou a jantar romanticamente, num restaurante intimista, mas a comunicarem um com o outro, em silêncio, através de SMSs.

E se um dia se esquecem do telemóvel em casa ou noutro sítio? A ansiedade apoderasse dessa gente e o seu comportamento torna-se como o de um drogado a quem lhe falta o produto. Este fenómeno hoje já está estudo e comprovado cientificamente.

Para minha tristeza, já não vejo pessoas a ler livros e jornais nos transportes públicos.

Mas quem melhor para nos falar do tema

Que espaço para o Humanismo na Comunicação dos nossos dias

Tens a palavra António Sala.