39 – Portugal tem futuro sem o interior desenvolvido? | JORGE COELHO

Minhas senhoras e meus senhores,

Serão precisas apresentações? Há alguém na sala que não conheça ou
não tenha acompanhado, pelo menos os momentos mediaticamente
mais relevantes da vida de Jorge Coelho, o nosso convidado de hoje?
Há alguém que nunca o tenha visto na Quadratura do Círculo ? Quem
não se lembra da sua frontalidade e de “certas” frases que ficaram
famosas?
Beirão, por nascimento em Viseu, a 17 de Julho de 1954, Jorge Paulo
Sacadura Almeida Coelho foi toda a vida política e (ou) gestor!
Estudou por Mangualde após o que “emigrou” para Coimbra para
estudar engenharia civil. O percurso viria a ser outro: militância
política na extrema-esquerda…25 de Abril…fundador da UDP…
casamento…mas, por fim, e já em Lisboa, licenciatura em
Organização e Gestão de Empresas, no Instituto Superior de Ciências
Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa ., em
1983. Já então trabalhara no STAPE (Secretariado de Apoio ao
Processo Eleitoral).
Seguiu-se a filiação no Partido Socialista em 1982 e toda uma carreira
política que se iniciou como chefe do gabinete do Secretário de Estado
dos Transportes do IX Governo Constitucional , Francisco Murteira
Nabo ( 1983 – 1985 ). Depois…foi Macau onde desempenhou funções nas
áreas da Educação, Juventude, Assuntos Sociais e Administração
Pública (1988-1991).
Voltando a Portugal foi o “homem da máquina” do Partido Socialista!
Próximo de António Guterres , teve uma participação activa na eleição
deste último para Secretário-Geral do PS. Depois, foi, com assinalável
êxito o coordenador de várias campanhas dos socialistas e
desempenharia vários cargos governamentais desde ministro-adjunto

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de António Guterres no XIII Governo Constitucional a Ministro do
Equipamento Social no XIV.
Destaque-se aqui a sua iniciativa da criação das conhecidas Lojas do
Cidadão , como centro de atendimento de várias entidades públicas,
agregando e ligando serviços num só espaço. Mas, sublinhe-se também
a sua atitude, como Ministro responsável de na sequência da queda da
ponte de Entre-os-Rios, em 4 de Março de 2001, onde morreram 59
pessoas, Jorge Coelho pediu a demissão do Governo, dizendo: «assumo
a responsabilidade política pelo acidente» e que «não ficaria bem com
a minha consciência se não o fizesse». A sua última decisão no cargo foi
pedir um inquérito dizendo: «a culpa não pode morrer solteira».
Em Novembro de 2006 renunciou ao mandato de deputado e
abandonou todos os cargos partidários para se dedicar à actividade
profissional e académica. Assim, seria consultor e administrador de
empresas como a CONGETMARK, Banco BIG, Vista Alegre e
professor no Instituto Superior de Comunicação Empresarial
(ISCEM).
Ainda seria Conselheiro de Estado mas, renunciaria ao cargo quando
aceitou o convite para CEO do Grupo Mota – Engil , dando sequência a
um trabalho já anteriormente desenvolvido.
A verdadeira mudança dá-se em 2016 quando funda a Queijaria Vale
da Estrela, situada em Mangualde , muito próximo de Contenças, onde
nasceu. È possível que nesta altura a queijaria já tenha concluído o
processo e recebido a certificação DOP ( Denominação de Origem
Protegida ) mas as perguntas ficam no ar: Voltou para o Interior
porquê? Agora que tiraram tudo ao Interior? Porque é que, como
político não tentou travar o ataque ao Interior? Ou simplesmente

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estamos perante alguém que percebeu, tarde mas mais cedo que
muitos, que apesar do crime, valia a pena fazer alguma coisa por
aquele Portugal que, por não ter quase votos, foi esquecido da
DEMOCRACIA?
Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos
anunciar que a próxima Charla, aqui na Sociedade de Geografia de
Lisboa e será a 40ª, no dia 15 de Novembro de 2019, onde temos como
nosso convidado, Paulo Sérgio, jornalista e advogado, que nos vêm
provocar com o tema: “Fake News: um novo nome para um velho
problema”.
Por tudo o que vos disse anteriormente, percebem porque pedimos a
Jorge Coelho porque que nos viesse dizer se Portugal tem futuro sem o
interior desenvolvido? Terá?
Tens a palavra Jorge Coelho