40 – Fake News: um novo nome para um velho problema | PAULO SÉRGIO

Uma notícia da Lusa datada de 23 de Outubro passado e divulgada em vários órgãos de comunicação social dava conta que “só no Facebook mais de um milhão de portugueses foi exposto a Fake News durante o mês anterior às últimas eleições legislativas no nosso país”.

A notícia – esta verdadeira – baseava-se no projecto MediaLab promovido pelo ISCTE – um instituto universitário público especializado nas áreas de ciências empresariais, ciências sociais, tecnologias e arquitetura, cujo objectivo foi monitorizar a “propaganda e desinformação nas redes sociais”, entre 6 de Setembro e 5 de Outubro de 2018.

Num país “com seis milhões de portugueses com perfis no Facebook”, e “a partir de 80 exemplos” de grupos e páginas pessoais associadas à divulgação de desinformação, houve, “no mínimo, um milhão de pessoas a serem tocadas pela desinformação” no mês que antecedeu as eleições, afirmou, na ocasião, Gustavo Cardoso, sociólogo, professor catedrático de media e sociedade que participou no projeto do MediaLab, o qual teve o apoio do Democracy Reporting International, uma ONG com sede em Berlim, e em colaboração com o DN.

“É a ponta do icebergue da desinformação, um problema grave!”, sublinhou, então, o especialista, citado pela Lusa.

De facto, indo ao encontro do tema que nos trouxe hoje aqui para o debater com o jornalista e advogado Paulo Sérgio, nosso convidado desta 40.ª Charla dos Amigos de Platão, mais do que “um problema grave”, as Fake News são um problema velho vestido com um novo nome e difundido por meios hipersofisticados.

Desde sempre que houve Notícias Falsas, todos o sabemos, mas cada vez elas chegam mais dissimuladas pelas altas tecnologias e sobretudo através das redes sociais, mormente no Facebook.

E um pormenor a que este estudo chegou: “ao contrário de outros países europeus onde a desinformação anda associada a notícias sobre imigrantes e imigração, os temas mais abordados em Portugal, tanto nas páginas pessoais ou grupos, foram os políticos e a corrupção”.

A partir daqui, Paulo Sérgio, que acumula o jornalismo, um berço onde nascem e crescem muitas Fake News, com a advocacia, meio preponderante de análise das ditas, poderá dissecar com todos nós o percurso deste autêntico “veneno” que infecta a nossa sociedade e nos leva a desconfiar de tudo e todos e a entrarmos “em parafuso”, como sói dizer-se.

Veja-se, como exemplo, que o pico das interacções nos “viveiros” do Facebook analisados naquele estudo foi atingido em 4 de Outubro, dia em que o Primeiro-Ministro, António Costa, se exaltou com um idoso no Terreiro do Paço, em Lisboa, depois deste lhe ter dito que estava de férias quando se deram os grandes incêndios de Pedrógão Grande, em Junho de 2017 – afinal, uma Fake New, como se veio a concluir.

O jovem Paulo Sérgio, nascido em Cascais um ano e um dia após o 25 de Abril de 74, portanto, com apenas 44 anos, autor, apresentador, jornalista e advogado, é a pessoa indicada para ver com outros olhos experientes mas novos este problema que assume contornos de verdadeira “guerra civilizacional” entre os já tão stressados humanos, a viverem debruçados sobre os seus aparelhos as “histórias” mais inverosímeis que se podem sonhar e inventar a cada segundo do dia.

Licenciado em Comunicação e Jornalismo, com Mestrado em Ciências da Comunicação, Paulo Sérgio recebeu o Diploma de Estudos Avançados da Universidade Complutense de Madrid e é, igualmente, Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa. Aliás, desde Setembro do ano passado, que está na SRS Advogados, onde, a par com a preparação para agregação à Ordem dos Advogados, colabora com os Departamentos de Propriedade Intelectual, Contencioso e Fiscal.

O gosto por este sector do Direito deve ter sido impulsionado pela sua experiência na Sociedade Portuguesa de Autores, onde, para além da faceta de pianista e apresentador televisivo, da qual já falaremos, assumiu com empenho o cargo de Presidente do Conselho Fiscal, entre 2007 e 2011, sendo titular da lista da Direcção de 2006 a 2014. Por outro lado, foi fundador da Associação Portuguesa de Jornalismo Judiciário, onde se mantém, desde 2002.

Mas a rádio foi a sua primeira paixão… Os primeiros contactos com ela aconteceram em 1985 e, dez anos depois, começou a sua actividade profissional na Rádio Renascença sendo, nessa época, o mais jovem locutor. Pertenceu à equipa do programa “Despertar” (com António Sala e Olga Cardoso) como repórter. Permaneceu na RR durante aproximadamente 12 anos, durante os quais foi responsável pela autoria, coordenação e apresentação de diversos programas, destacando-se “Sociedade do Conhecimento” (com Daniel Sampaio e Luís Osório), “Câmara dos Comuns” e “Diário de Bordo”. Desempenhou, igualmente, as funções de Editor Literário e Editor Musical. Ainda no mesmo meio mas no Rádio Clube Português tornou-se Director de Programas.

Em 2008, como especialista em Comunicação, a convite e com o suporte da União Europeia, ajudou a criar e a implementar um Plano para Comunicação dos Direitos das Vítimas de Crime na Bulgária. No plano académico, leccionou Semiótica da Comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa. Enquanto jornalista e autor de textos, colaborou com a Fundação Calouste Gulbenkian, com a Casa da América Latina e com a revista Focus.

A elaboração de entrevistas tem sido um dos objectos do seu trabalho e, nesse sentido, escreveu o livro “50 anos na música” com o Maestro António Victorino D’Almeida.

No RCP apresentou o programa “Pensar por Pensar” e, na televisão, coordenou e apresentou o programa “Autores” na TVI24 e TVI, entre Outubro de 2009 e Abril de 2010 e desde Abril de 2011 a Junho de 2014, tendo apenas interrompido para fazer o programa “A de Autor” na RTP2 e RTPi, desde Maio de 2010 a Dezembro do mesmo ano, num total de oito séries. Estes programas – agora sob a “batuta” de Carlos Mendes -, para além de destacarem a criatividade, tinham e têm ainda hoje como objectivo sensibilizar a opinião pública para as questões do Direito de Autor e Propriedade Intelectual, dos tais temas seus preferidos.

Melómano, com particular encanto pelo piano, habituou os seus convidados nestes programas televisivos da SPA a sentarem-se e a tocar com ele. Talvez também por essa razão, “Autores” foi distinguido por duas vezes seguidas, em 2012 e 2013, como Melhor Programa de Informação Cultural da televisão portuguesa pela revista TV7 Dias.

Desde 1998 que pertence à Sociedade Portuguesa de Autores, com assento na Direcção, tendo já exercido o cargo de Presidente do Conselho Fiscal, como se disse anteriormente e foi, também, durante mais de quatro anos, Director da revista de actualidades Nova Gente, com liderança destacada no segmento de Sociedade.

Sendo um espírito inquieto, interessado por diferentes matérias de Direito completou ainda duas Pós-Graduações, aproximando-o também dessa área: Jornalismo Judiciário na Universidade Lusófona e Direito da Comunicação na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.

A par da sua actividade académica e profissional, é pianista, acompanhando, actualmente, a guitarrista Luísa Amaro. Por outro lado, juntou a isto o seu gosto de escrever e está a ultimar a biografia de Carlos Paredes, um livro encomendado pela editora Althum e, simultaneamente, a fazer um filme candidato ao Fundo Cultural da SPA, com o significativo nome de “30 minutos com Fernando Pessoa”.

Mas antes de dar a palavra ao nosso palestrante de hoje, quero-vos anunciar que a próxima Charla, aqui na Sociedade de Geografia de Lisboa e será a 41ª, no dia 17 de Janeiro de 2020, onde temos como nosso convidado, José Pedro Castanheira, jornalista, que nos vêm provocar com o tema: “A morte de Salazar”, mas com uma triste notícia: conseguimos manter o preço das nossas palestras durante 7 anos a 20€, mas vemo-nos obrigado, e por imposição da Sociedade de Geografia a passar para 25€, já a partir de Janeiro. Espero que todos entendam o nosso esforço e não desmobilizem nas Charlas de Platão.

Connosco, Paulo Sérgio. Aqui está o desafio, que tanto aprecias, lançado logo de início.

Tens a palavra Paulo Sérgio